Distúrbios Alimentares

Os transtornos alimentares caracterizam-se por uma grave perturbação do comportamento alimentar. Eles podem ter um início gradual e os sintomas podem permanecer estáveis durante muitos anos; entretanto, há várias circunstância em que os sintomas se avolumam até um estado de crise. Uma "crise" foi definida por Gilliland e James (1993) como a percepção de um acontecimento ou situação como uma dificuldade intolerável que excede os recursos e os mecanismos de enfrentamento da pessoa. Os pacientes que sofrem de distúrbio alimentar podem experimentar uma crise vinculada basicamente a uma exacerbação dos sintomas físicos, perturbação psicológica, angustia interpessoal ou alguma combinação dessas áreas do funcionamento. O paciente com distúrbios alimentares quase sempre experimenta tanta culpa no que diz respeito à alimentação que a própria decisão de inibir os sintomas na busca da recuperação desperta uma ansiedade marcante, com uma deterioração psicológica geral. Durante essas crises emocionais, a pessoa pode estar sob alto risco de autodestruição, mas pode também experimentar uma maior motivação para procurar tratamento ou se comprometer com ele. Uma crise pode ser precipitada pela deterioração de relacionamentos interpessoais significativos ( por exemplo, pais ou outros familiares, cônjuge ou parceiro, professor ou patrão). Esta deterioração pode envolver a descoberta ou o reconhecimento de que o paciente tem um distúrbio alimentar.

Anorexia é o comportamento de recusa da pessoa em se alimentar, por se considerar gorda, apesar de estar bem abaixo (cerca de 15%) do peso considerado adequado à sua idade e altura. Esta recusa está associada a um medo intenso de ganhar peso. Apresentam um distúrbio da imagem corporal que faz com que se percebam como mais gordos do que realmente são. Esse distúrbio não diminui com a perda de peso, fazendo com que o anorético continue insatisfeito com sua aparência apesar do emagrecimento, fixando metas de peso em níveis cada vez mais baixos e podendo utilizar métodos de controle de peso cada vez mais extremos.

Bulimia se caracteriza por episódios recorrentes de comer grandes quantidades de comida em um curto período de tempo (orgias alimentares), seguidos pelo uso de estratégias inadequadas de evitar o aumento de peso como auto-indução do vômito, uso de laxantes e diuréticos e prática de exercícios vigorosos (comportamentos compensatórios). O ataque é tipicamente desencadeado por estados de humor disfóricos, estados ansiosos e fome intensa. Ele pode proporcionar distração de pensamentos desagradáveis; pode reduzir sentimentos de tédio, solidão e tristeza (sendo uma forma de se dar prazer, mesmo que de curta duração) ou pode proporcionar alívio do rigor e monotonia da dieta rígida.

Distúrbio do Comer Compulsivo se assemelha à Bulimia no que se refere à presença das orgias alimentares, mas se diferencia da mesma por não apresentar os comportamentos compensatórios. Apesar do grande desconforto gerado por estes ataques, não há uso regular de vômito ou abuso de exercícios, laxantes e diuréticos. Durante os ataques, também privilegiam alimentos evitados quando em dieta, experimentam diminuição do controle sobre o comportamento alimentares mesmo sem fome, só param de comer quando se sentem desconfortavelmente "empanturrados". Embora eventualmente façam dieta, em sua maioria apresentam obesidade de moderada à grave.

Esses distúrbios apresentam aspectos comuns em diversos níveis de análise do comportamento da pessoa. E eles são os seguintes:

Comportamento Alimentar: o comportamento de comer não atende a uma necessidade fisiológica de se alimentar, mas ocorre em virtude de uma sensação desagradável associada à Ansiedade ou a Depressão, geralmente ele é descrito como um vazio e confundido com a sensação de fome.

Pensamento: apresenta dificuldade em reconhecer sinais de fome e saciedade, pensamentos constantes sobre comida e aparência física são constantes e geram desprazer ou insatisfação com a auto-imagem.

Relações Sociais: apresenta sentimento de rejeição, imagina que está constantemente sendo observado pelas pessoas. Em virtude da grande dificuldade de comunicar sentimentos e pensamentos, não consegue lidar com situações sociais de uma forma satisfatoria. Não sabe administrar críticas, frustrações e desapontamentos e foge dos confrontos e auto- exposição. Isso leva a pessoa a evitar convívio social, ou evitar lugares publicos com muito movimento de pessoas, o que acaba tornando sua vida solitária.

.Para completar, as pessoas com distúrbios alimentares apresentam histórias familiares onde são comuns os seguintes aspectos: superproteção, rigidez de valores, grande ênfase em modelos estéticos que enfatizam a magreza como único modelo aceitável de beleza.

BIBLIOGRAFIA

FREEMAN, A. e DATTILIO F. M. Estratégias Cognitivo Comportamentais para Intervenção em Crise Editorial Psy, 1995, S.P.

RANGÉ BERNARD, Psicoterapia Comportamental e Cognitiva de Transtornos Psiquiátricos, Editorial Psy 1998, S.P.

FREEMAN, A. e DATTILIO F. M. Compreendendo a Terapia Cognitiva, Editorial Psy, 1998 S.P.

Autora – Arlete de Godoy Mesiano

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