Reabilitação Cognitiva

"A reabilitação cognitiva é uma área de pesquisa e atuação clínica dedicada a desenvolver e aplicar recursos objetivando melhorar a capacidade de pacientes cérebro-lesado em processar e usar informação de modo a ter uma vida mais autônoma e satisfatória.

A partir do modelo de organização cerebral de Luria (1980), que concentra esforços na administração de exercícios repetitivos de reabilitação cognitiva endereçados sistematicamente a processos cognitivos específicos. A reabilitação cognitiva faz retreino de processos cognitivos para diminuir distúrbios de atenção, linguaje, processamento visual, memória, raciocínio e resolução de problemas, além de funções executivas. No procedimento terapêutico, os exercícios objetivam primeiramente a restauração clínica de funções, e secundariamente a compensação de funções que não reagem bem aos procedimentos de restauração. Embora possa incluir programas de intervenção neurofarmacológica, psicoterapeutica (comportamental, cognitiva ou neuropsicológica), a reabilitação cognitiva não se reduz a tais programas. Um exemplo de programa de reabilitação cognitiva pode ser encontrado no Treino do Processo de Atenção (TPA) descrito por Sohlberg e Matter (1989). Ele consiste em exercícios de tratamento organizado hierarquicamente endereçados especificamente aos cinco componentes da atenção: a focalizada, a mantida, a alternada, a seletiva e a dividida. Os exercícios são desenhados de modo a requer, de um modo gradual, sistemático e progressivo, o envolvimento cada vez mais intenso e compreensivo do sistema cognitivo que se encontra comprometido.

A eficácia da reabilitação cognitiva deve ser avaliada contra o pano de fundo de variações individuais, que envolvem fatores como diferenças na organização cerebral, natureza, localização e magnitude da lesão, tempo desde a lesão, idade, saúde geral e nível de funcionamento anterior à lesão. A lesão cerebral pode ser acompanhada de disfunções físicas, intelectuais, emocionais, sociais e vocacionais. O paciente pode apresentar perturbações em habilidades sociais, de fala, escrita, memória, planejamento de ações e coordenação de movimentos. A configuração dos distúrbios do paciente depende da natureza da lesão, de sua extensão e localização. Por exemplo. Lesões frontais tendem a resultar em distúrbios de função executiva; lesões temporais, em distúrbios de memória.

De acordo com Prigatano (1986), há três abordagens ou princípios de treino que facilitam a reabilitação cognitiva:

  1. uso de compesansão para contornar o déficit;
  2. uso de substituição para resolver o problema por meios alternativos;
  3. retreino de funções cognitivas específicas lesadas.

Esses princípios são usados na reabilitação em quatro passos:

  1. Reduzir a confusão cognitiva do paciente concentrando sua atenção;
  2. Fazer aconselhamento individual ou em grupo para promover a consciência de seus déficit e recursos;
  3. Leva-lo a reconhecer a necessidade de estratégias compensatórias;
  4. Fazer o treino cognitivo e o de habilidades sociais.

De acordo com Sohlberg e Matter (1989), há três abordagens básicas à reabilitação cognitiva.

  1. A abordagem de estimulação geral, em que o clinico administra materiais de treino cognitivo (software) sem uma orientação teórica específica, supondo simplesmente que qualquer estimulação resultará em melhora.
  2. A abordagem de adaptação funcional, em que não se faz retreino específico de funções cognitivas no contexto clínico, mas apenas no contexto funcional de situações naturalisticas de vida e trabalho.
  3. A abordagem de processo específico, em que, à luz de modelos teóricos cognitivos, o clínico administra repetidamente uma série de atividades de treino organizada hierarquicamente e dirigidas a componentes específicos de processos cognitivos. Sua ênfase na repetição deriva do conceito de Luria de que o treino direto de processos cognitivos é capaz de produzir a reorganização de processos de pensamento. Enfatiza também a monitoração constante dos resultados do tratamento por meio da metodologia experimental de caso único. Isto permite acompanhar de perto o progresso da paciente e a eficácia do tratamento, de modo a aperfeiçoar constantemente as técnicas e a oferecer o melhor tratamento possível ao paciente."

BIBLIOGRAFIA

CAPOVILLA, FC e outros TECNOLOGIA EM REABILTAÇÃO COGNITIVA : Uma Perspectiva Multidisciplinar - EDUNISC, 1998, SP

Autora : Arlete de Godoy Mesiano

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